1 de abril de 2014

Retinopatia diabética e dieta

Retinopatia diabética e dieta

O consumo moderado de ácidos graxos poli-insaturados pode proteger contra a microangiopatia diabética, como sugere um estudo feito na costa norueguesa com pacientes diabéticos.

“Em outras palavras, uma dieta com consumo de ácidos graxos poli-insaturados pode fornecer profilaxia de baixo custo para retinopatia diabética,” como disse o Dr. Knud Erik Alsbirk, da Sotra Eye Clinic de Bergen, Noruega, no 12º Euretina Congress realizado em Milão.

Ele empreendeu um estudo baseado nas suas impressões nos últimos 20 anos de pratica em sua clinica privada, para documentar a relação da perda visual e alimentação em pacientes portadores de diabetes. Ele constatou que a taxa de incidência de retinopatia diabética (RD) era baixa e sua hipótese é que provavelmente o não surgimento da retinopatia está diretamente relacionado ao alto consumo de ácidos graxos poli-insaturados na dieta rica em peixes.

“Meu consultório está localizado em uma ilha, distrito da costa oeste da Noruega, onde há uma longa tradição e um bom acesso a peixes de alta qualidade,” explica o Dr. Alsbirk.

Maior suporte à sua hipótese foi dado por um caso de um paciente com histórico de 12 anos de diabetes tipo II que apresentava alterações microvasculares intra retinianas (IRMA), que foram revertidas após seis meses de consumo de suplemento a base de ômega-3.

O estudo inclui mais de 519 pacientes selecionados randomicamente, dos quais 10% tinham diabetes do Tipo I. Aproximadamente 85% dos pacientes sabiam o seu nível de Hba1c e, pelo menos metade deles, estava tomando anti-hipertensivo, uma estatina e um suplemento de ômega 3 regularmente.

Diagnósticos de RD foram feitos através de fotos do fundo do olho utilizando o critério de Wilkinson e colaboradores. RD foi identificada em 47% dos diabéticos do Tipo I e em 22% dos diabéticos do Tipo II. Entretanto, raramente havia interferência na a visão e, geralmente, o paciente recebeu tratamento a laser, vitrectomia e anti-VEGF se necessários. Apenas 11% dos diabéticos do Tipo I e 5% dos do Tipo II tiveram edema macular diabético; a incidência de RD proliferativa nos 2 subgrupos foi de 13% e 3%, respectivamente.

A função visual, de maneira geral, manteve-se boa. A acuidade visual foi menor que 6/12 em menos de 2% dos diabéticos do Tipo II e em nenhum dos pacientes com DM Tipo I. “Os poucos casos de baixa acuidade visual foram todos em pacientes com nenhuma retinopatia diabética e foram atribuídos a outras doenças oculares” relatou Dr. Alsbirk.

Informações sobre o consumo de peixe no histórico semanal das dietas demostrou uma media de 3,2 refeições ingeridas pelos diabéticos do Tipo I e 4.4 refeições naqueles com diabetes Tipo II. Quando foram adicionados suplementos de ômega-3 ou óleo de fígado de bacalhau o número de refeições semanais com peixe aumentou para 6.3 para os diabéticos do Tipo I e 8.0 para pacientes diabéticos do Tipo II.

Dr. Alsbirk notou resultados diferentes publicados em estudos investigativos pré-clínicos com RD e o consumo de ácidos graxos poli-insaturados. Em 1996, Hammes e colaboradores reportaram que óleo de peixe administrado a ratos diabéticos acelerou a retinopatia. Contudo, uma década depois, Connor e colaboradores acharam 40% de redução na angiogênese patológica com retinopatia experimentalmente induzida em ratos com consumo de ômega-3.

Para conciliar os achados conflitantes, Dr. Alsbirk sugeriu que a resposta está na quantidade de ácidos graxos poli-insaturados ingeridos. “Parece seguro concluir de nosso estudo que o consumo moderado de ácidos graxos poli-insaturados não acelera a microangiopatia diabética em humanos. O efeito adverso em estudos com ratos pode ter sido causado pela dose administrada de 500mg/kg/dia de ômega-3, o que é 40 a 50 vezes maior que a dose recomendada,” disse ele.

Escrito por CHERYL GUTTERMAN KRADER em Milão
Revista EUROTIMES – vol. 17 / edição 11 / pág. 30

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