16 de novembro de 2016

Blefarite, hordéolo e calázio. São a mesma coisa?

Blefarite, hordéolo e calázio. São a mesma coisa?

São condições relacionadas entre si, mas com características diferentes. A blefarite é a inflamação crônica das pálpebras e pode acometer pessoas em todas as faixas etárias. Esta inflamação pode afetar as glândulas externas da pálpebra que se situam em torno dos cílios e principalmente as glândulas internas, conhecidas como glândulas de Meibomius, responsáveis pela produção da camada de gordura que faz parte da lágrima e a impede que se evapore muito rápido, possibilitando, assim, a adequada lubrificação para a superfície ocular.

Os principais sinais e sintomas da blefarite são a vermelhidão das margens palpebrais e do próprio olho, presença de pequenas crostas ou “caspas” nos cílios, aumento de secreção e lacrimejamento, ardor, sensação de ressecamento ou de areia nos olhos. O quadro pode variar de leve a quadros mais intensos.

O hordéolo e o calázio, muitas vezes, são consequências da blefarite que não é identificada e, por isso, não é tratada. O hordéolo ocorre quando uma das glândulas citadas acima sofre um processo infeccioso agudo pela invasão de uma bactéria presente na pele palpebral. O calázio, por sua vez, ocorre por uma retenção em forma de cisto após o quadro agudo e não apresenta mais os sinais inflamatórios, mas apenas uma nodulação palpebral.

A causa exata da blefarite ainda é desconhecida, e sabe-se que ocorre por um conjunto de vários fatores, como predisposição individual, distúrbios de ansiedade, alteração da flora bacteriana e condições inflamatórias da pele como seborreia, acne rosácea e dermatite atópica.

Pessoas que apresentem quadros muito intensos devem ser investigadas quanto à associação com carências nutricionais, alterações hormonais e até mesmo a deficiência seletiva de imunoglobulinas.

Como se dá a evolução do problema?

A evolução da blefarite é, na maioria das vezes, arrastada e os sintomas passam por fases de melhora e piora ao longa da vida. Se não tratada, a blefarite mantém um ciclo de inflamação que leva a hordéolos de repetição com muito desconforto para o seu portador e necessidade de cirurgias para a remoção de calázios. Ao longo dos anos, ocorre piora progressiva da função das glândulas palpebrais que podem assim ter a sua produção de gordura interrompida e evoluir para disfunção da produção lacrimal que, em última análise, pode evoluir para quadros mais graves inclusive com acometimento da função visual.

Hordéolos e calázios causam danos à visão?

Não, nenhuma das duas condições afeta a função visual, a não ser quando estão muito volumosos e podem diminuir o campo visual de forma temporária, mas com recuperação do mesmo após o tratamento adequado. Em crianças, os hordéolos devem ser acompanhados mais atentamente, pois podem evoluir para infecções da pálpebra e da órbita que podem ser mais graves.

Qual é o perigo de contágio?

Não há perigo de contágio. A infecção ocorre por bactérias da própria pele do indivíduo que fazem parte da flora bacteriana da grande maioria das pessoas.

Qual o tratamento indicado para hordéolo e calázio?

O hordéolo, por ser uma infecção aguda, deve ser tratado como tal. Na grande maioria dos casos, colírios e pomadas oftalmológicas com associação de antibióticos e anti-inflamatórios são prescritos para serem usados de sete a quinze dias. Calor local, quando há possibilidade de drenagem da secreção retida dentro da glândula, pode ser usado. Quadros muito intensos e com várias áreas da pálpebra acometidas devem ser acompanhados de perto e antibióticos orais devem ser instituídos em casos selecionados, como em crianças e idosos.

O calázio pode e deve ser acompanhado nos primeiros três a seis meses de evolução, já que a grande maioria regride sem a necessidade de qualquer tratamento. Lesões maiores que, por ação mecânica, causam a queda da pálpebra superior ou eversão da pálpebra inferior, ou mesmo as que causam constrangimento por sua aparência, podem ser submetidas à cirurgia para sua remoção. A cirurgia é realizada sob anestesia local e não deixa cicatrizes na pele palpebral.

Quais as dicas para evitar o problema?

As pessoas portadoras de blefarite devem ser acompanhadas periodicamente pelo oftalmologista, de acordo com a frequência e intensidade de seus sintomas e para reorientação e manutenção de seu tratamento. A higiene palpebral diária é fundamental para o controle dessa condição.

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Fonte: CBO – Conselho Brasileiro de Oftalmologia

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