22 de janeiro de 2019

A importância do exame ocular no recém-nascido

A importância do exame ocular no recém-nascido

A deficiência visual na infância afeta o processo de aprendizagem e a integridade física e psíquica, sendo fundamental a sua prevenção e sua identificação precoces. Com os conhecimentos médicos atuais, pelo menos 60% das causas de cegueira e severo comprometimento visual infantil são preveníveis ou tratáveis. Toda criança deve ter seus olhos examinados ainda no berçário.

Os pais tem conhecimento do Teste do Pezinho mas desconhecem o Teste do Olhinho. A grande importância dele está na detecção precoce de doenças que comprometem o eixo visual, como a catarata congênita, o glaucoma congênito, as mal formações e tumor intra ocular. Além disso, no exame pode-se diagnosticar traumas de parto, hemorragias e inflamações além de infecções.

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É um exame simples, indolor e rápido, que deve ser realizado por pediatra treinado, nos primeiros dias de vida do bebe ou antes da alta hospitalar. Pode ser repetido a cada consulta pediátrica, uma vez que algumas doenças oculares se manifestam posteriormente. Verifica-se o reflexo vermelho ao incidir uma luz em direção a pupila. Faz-se também a inspeção do segmento anterior dos olhos e pálpebras. Algumas vezes se faz necessária a dilatação das pupilas, através de gotas de colírio, para facilitar a avaliação do reflexo pupilar e o interior do olho. Quando o pediatra tem dúvidas quanto ao resultado do exame ou na presença de reflexo pupilar alterado, o bebê deve ser imediatamente avaliado pelo oftalmologista.

O teste do olhinho ainda não é realizado de forma obrigatória em todos os hospitais e maternidades do país, como acontece nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná. Essa avaliação não detecta a retinopatia da prematuridade. Caso o bebê seja prematuro (com menos de 32 semanas de gestação ou com peso de nascimento inferior a 1500g), cabe ao oftalmologista realizar exame de mapeamento de retina.

Muitas das condições associadas à cegueira na infância são causas de mortalidade infantil (parto prematuro, sarampo, síndrome de rubéola congênita,  deficiência de vitamina A e meningite). Estima-se que no mundo haja 1,4 milhão de crianças cegas e uma criança cega tem muitos anos de cegueira pela frente. Cerca de 50% das causas de cegueira infantil no Brasil são evitáveis, sendo preveníveis (rubéola, toxoplasmose) ou tratáveis (catarata, glaucoma, retinopatia da prematuridade).

A catarata congênita constitui a causa mais frequente de cegueira evitável na infância em todo o mundo. Cerca de 40% das cataratas congênitas no Brasil são secundárias a Rubéola. O diagnóstico precoce é importante pois implica na necessidade de tratamento cirúrgico e correção visual o mais cedo possível, muitas vezes com estimulação visual. O glaucoma congênito ocorre em, aproximadamente, um para cada dez mil nascidos vivos, é uma doença rara, caracterizada pelo aumento da pressão intraocular em crianças portadoras de mal formação nos olhos. Em cerca de 30% dos casos, ao nascimento, ocorrem alterações do segmento anterior do globo ocular que podem despertar a atenção da família e do neonatologista.

A retinopatia da prematuridade está entre as primeiras causas de cegueira infantil, tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Os recursos tecnológicos e o aprimoramento da assistência neonatal permitem a sobrevivência de muitos recém-nascidos com baixo peso e prematuros, que formam o principal grupo de risco para a ocorrência da doença e suas complicações. A maioria dos bebês prematuros não desenvolve a retinopatia da prematuridade mas corre o risco de ter baixo desenvolvimento visual por outras conta de erros refracionais (grau), estrabismo e comprometimento do sistema nervoso central por problemas que envolveram os riscos de sobrevida.

O retinoblastoma é o tumor intra ocular mais frequente na infância. Pode ser hereditário. Ocorre em cerca de um para cada quinze mil nascidos vivos e esta incidência varia conforme o nível de desenvolvimento da região, sendo maior nos paises desenvolvidos devido ao aumento da sobrevida dos bebês com retinoblastoma, que podem transmitir os genes para seus descendentes. No Brasil, 60% dos retinoblastomas são diagnosticados tardiamente, quando já não é possível salvar o olho, e às vezes nem a vida da criança. O diagnóstico precoce é fundamental para a preservação da visão, do globo ocular e da vida da criança. É recomendável que a criança passe por um exame oftalmológico a cada 6 meses nos dois primeiros anos de vida e, se tudo normal, deve fazer um exame anual até os 9-10 anos de idade, época em que termina o desenvolvimento da visão.

A visão se desenvolve 90% durante os dois primeiros anos de vida. Portanto, é durante esta fase que a criança aprende a fixar, a movimentar os olhos de maneira conjunta e a perceber profundidade. Toda e qualquer alteração durante esta fase que não tenha sido corrigida pode acarretar prejuízos na visão para o resto da vida. Além disso, o desenvolvimento motor da criança durante o primeiro ano de vida é diretamente relacionado a sua capacidade visual. O que muitas vezes parece ser um atraso de desenvolvimento pode, na verdade, ser deficiência visual, facilmente diagnosticada e, na maioria das vezes, tratada. Os outros 10% do desenvolvimento visual ocorrem até 7-9 anos de idade.

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